Fla, Flu e Vasco têm prejuízos de R$ 3 mi; Maracanã vira incógnita em 2018


 Palco principal do futebol pentacampeão do mundo, o Maracanã passou por uma reforma bilionária para receber a Copa do Mundo. O que colocaria o futebol do Rio de Janeiro de posse de um estádio com o que há de melhor no mundo, no entanto, tornou-se um "abacaxi" difícil de ser descascado. Três anos depois do Mundial, a obra é investigada por suspeita de pagamentos de propina da Odebrecht a políticos. O litígio faz com que jogar no Maracanã seja uma tarefa cada vez mais árdua e cara para os clubes, principais interessados em ver o negócio de pé.

Levantamento feito pelo UOL Esporte demonstra que Flamengo, Fluminense e Vasco acumulam prejuízos seguidos para jogar por lá no Campeonato Brasileiro - cerca de R$ 3 milhões. O Rubro-negro, no caso, tem um mínimo resultado positivo. O campeão dos prejuízos é o Fluminense, clube que tem o acordo mais vantajoso com a concessionária.

 Em 15 partidas, o Tricolor somou um resultado negativo de cerca de R$ 2,5 milhões. Nem mesmo o custo de R$ 100 mil de aluguel se tornou capaz de minimizar as perdas. Foi diante do rival Flamengo que o Tricolor teve os melhores números.

 Com a Ilha do Urubu à disposição, o Rubro-negro tem evitado o antigo lar. Em três rodadas, o time optou por mandar os jogos no Maracanã, mas os números são de lamentar: ao todo, a diretoria levou apenas R$ 131 mil para casa. Com São Januário interditado e por conta do clima eleitoral, o Vasco se viu forçado a deixar a sua casa de lado por um tempo.

 Com os custos altíssimos, o Cruzmaltino teve um prejuízo de R$ 483 mil. Contra o Vitória, os vascaínos deixaram o Maracanã lamentando uma conta de R$ 465.082,47 no vermelho. Rubro-negros e alvinegros jogam em condições similares no estádio. Se o Flu paga um valor fixo de locação, os dois rivais destinam aproximadamente 20% da renda e ambos têm variáveis que consideram o público pagante.

 Atolada em problemas e sem interesse de gerir o estádio da final da Copa do Mundo, a Odebrecht ao menos fechou no azul quando abriu as portas do Maracanã. A empreiteira teve resultado positivo de R$ 3,2 milhões. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), que abocanha uma fatia das rendas, colocou a mão em R$ 530,6 mil.

 O governador Luiz Fernando Pezão prometeu o lançamento de um novo edital de licitação, mas nada aconteceu até o momento. Ante o cenário de indefinição, o Maracanã é uma verdadeira incógnita para 2018. De olho no futuro, Eduardo Bandeira de Mello e Pedro Abad, presidentes de Fla e Flu, respectivamente, acompanham com apreensão a situação.

 "A única maneira é uma nova licitação com um edital inteligente e viável financeiramente. No panorama atual, a chance é zero. Todos os clubes do Rio de Janeiro poderão jogar no Maracanã se o Flamengo vier a ser o concessionário. Mas o fato é que partidas pouco atrativas não devem ser realizadas ali. Seja do Flamengo ou de qualquer outro clube. Nas condições atuais, o nosso plano continua para 2018", afirmou Bandeira

 Pelo lado do Tricolor, Abad diz que o plano de um estádio próprio segue sendo a prioridade número um da gestão. Mas enquanto não coloca o sonho adiante, o Fluminense sofre com o Maracanã, ainda que tenha conseguido reduzir drasticamente as despesas. Para o futuro imediato, o mandatário vê com bons olhos uma aliança com o Flamengo.

 "A questão não é caber sozinho no Maracanã, mas saber se é interessante ficar sozinho. Quando tem mais de um clube, você pode ter diversas sinergias interessantes, que ajudam a operação a ficar mais rentável. Talvez não seja o mais adequado ter apenas um clube administrando um estádio tão caro. Quando se tem mais de um clube, dado que você tem o custo mensal fixo, esse investimento é diluído em mais jogos e em mais eventos. Não é questão de clubes diferentes, mas sim clubes complementares com ações em conjunto que potencializam o resultado".

 Com a temporada na reta de chegada restam mais três partidas agendadas para o "ex-maior do mundo". A conta subirá para quatro caso o Flamengo passe pelo Junior Barranquilla e chegue à finalíssima da Copa Sul-Americana. Entre contas que não fecham e uma administradora que deseja se ver livre de um elefante branco, quem sofre mesmo é o torcedor carioca.



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